Aplicação do Design Pattern: Factory

Depois de falarmos do Singleton, está na hora de falarmos de outro padrão de projeto, o Factory. O Factory é mais difícil de entender do que o Singleton. Mais do que isso, mais difícil de mostrar alguma aplicação prática.

Nesse post eu mostrarei as duas coisas, explicar o funcionamento do Factory, bem como sua aplicação.

Rápida Explicação …

De uma maneira bem simples, o Factory é um padrão que nada mais é do que uma classe geradora de objetos, onde a decisão de qual classe o objeto será é feita pela classe “geradora”.

Onde eu apliquei o Factory em ABAP?

Projeto Code Coaching

Estamos trabalhando num projeto open source chamado Code Coaching que está sendo desenvolvido sob a iniciativa do ABAP101 Open Source.

O objetivo do projeto é construir uma aplicação ABAP onde o Programador e Coordenador possam se comunicar pelo próprio programa ABAP.

Veja esse exemplo. Esse trecho de código faz parte de outro projeto em que estávamos envolvidos. Eu queria passar instruções para a implementação de uma classe interface específica. Então ao invés de passar instruções por e-mail, eu resolvi colocar alguns comentários dentro do próprio código. Daí para evoluir para uma proto-markup-language foi um pulo (lembre-se, meu sangue é de programador, minha tendência é resolver tudo com um programa de computador).

Fonte

 

Existem algumas linhas de comentários que são iniciadas por *@. Essas linhas contêm uma espécie de código que dá um significado especial às linhas comentadas logo na sequência. Continuando na linha do *@ encontramos a seguinte instrução: “jack:task”. Isso significa que os comentários logo abaixo dessa linha, trata-se de uma tarefa designada para o programador chamado Jack.

Sendo assim, o programador pode facilmente fazer uma busca no programa pelo seu nome e descobrir todos os pontos que possuam algum comentário para ele. Para facilitar eu automatizei essa busca em um programa que lê o programa e extrai todos os pontos onde a linha começa com *@ e gera um relatório, como o mostrado abaixo.

Protótipo do relatório para o Code Coaching

Protótipo do relatório para o Code Coaching

Esse programa é apenas um protótipo e como tal serve apenas para apresentar e testar a ideia central do projeto. O projeto final contemplará muitas outras funcionalidades bem como outros comandos, muito além do task. É nesse ponto que o factory será usado.

O que o Factory Significa para o Code Coaching?

No protótipo do programa Code Coaching, ele consegue interpretar apenas o comando task, mas já no primeiro release, estamos planejando expandir para pelo menos três outros comandos além do task,  question, answer e comment.

Para fazer a interpretação desses comandos, o programa relatório contará com um diagrama de classes semelhante ao apresentado abaixo:

Teste de Conceito do modelo do Code Coaching

Teste de Conceito do modelo do Code Coaching

Cada comando é representado por uma classe. Abaixo você verá mais um programa de teste de conceito, este usando o factory para interpretar um comando entrado pelo usuário.

Implementando o Factory em ABAP

Vamos para mais um programa que simula o interpretador que usaremos no Code Coaching. Trata-se de um programa bem simples, com um parâmetro que é o nome do comando. Se o comando existe, ele mostra o texto que está na classe correspondente ao comando, caso contrário mostra uma mensagem de erro.

Tela de seleção - Comando TASK

Explicação para o comando TASK - Classe LCL_TASK

Comando JUMP não existe

Resultado do comando JUMP

Programa ZABAP101_FACTORY_PATTERN completo.

 

A classe LCL_COMMAND é responsável por decidir de qual classe o objeto deve ser criado. Se ocorrer um erro na criação, ou seja, se a classe que estamos querendo criar o objeto não exista, uma exceção é lançada e tratada como um erro de sintaxe.

Repare que eu monto o nome da classe de acordo com o nome do comando entrado pelo usuário no parâmetro do programa. Ou seja, para esse caso, a classe do comando precisa seguir a seguinte nomenclatura: LCL_<comando>, caso contrário haverá um erro na criação do objeto daquela classe, pois a classe não existirá.

Os objetos dos comandos são criados no método FACTORY( ), com o seguinte comando:

CREATE OBJECT re_instance TYPE (lv_command).

O tipo do objeto é definido em tempo de execução, de acordo com o valor da variável lv_command. Colocando a variável entre parênteses, o interpretador ABAP entende que o tipo do objeto a ser criado não é lv_command, mas sim o que está no conteúdo da variável entre os parênteses.

Qual a Vantagem?

Por que criei uma classe para cada comando? Porque dessa forma, pode-se adicionar um novo comando de maneira MUITO fácil, apenas criando uma nova classe para o novo comando e herdando da classe LCL_COMMAND.

Todo o resto não será afetado.

(sim, isso cheira polimorfismo).

(sim, isso é genial!!!)

O padrão de projeto Factory pode ser implementado de várias maneiras, essa foi apenas uma delas. Acho sim interessante estudá-lo para ter mais essa ferramenta em sua workbench.

 

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3 Responses

  1. Fawcs says:

    Olha que legal, não sabia que você podia referenciar a classe dentro dela mesmo! Gostei da brincadeira!

  2. Arline says:

    (sim, isso cheira ajuda no meu TCC).

    Parabéns, ideia muito boa!

  3. Gabriel Tognoli says:

    Furlan, você bem que poderia deixar os seus códigos todo comentário, ficaria mais fácil de entender e intuitivo os conceitos, tipo linha a linha. Contribuiria ainda mais para o nosso aprendizado!
    E mais uma vez, parabéns e muito obrigado!